Obra: CASTILHO, António Feliciano de, 1800-1875 - Camões, 1863.


CASTILHO, António Feliciano de, 1800-1875

Camões : estudo historico-poetico liberrimamente fundado sobre um drama francez dos senhores Victor Perrot e Armand du Mesnil / por António Feliciano de Castilho. - 2.ª ed. copiosamente acrescentada nas notas. - Lisboa : Typ. Franco-Portuguesa, 1863. - 3 t. ; 19 cm. - T. 1: XIV, 259 p. - T. 2: 248 p. - T. 3: 226 p. - Obra digitalizada a partir do original.

CDU 82-2

Nota descritiva

António Feliciano de Castilho afirma ter retirado a sua peça Camões do drama francês de Victor Perrot e Armand Dumesnil (estreado em Paris no teatro Odéon a 29 de Abril de 1845). Contudo, perante o original francês, imprime Castilho na sua obra a cor local da época que permite enaltecer a figura de Camões e do rei D.Sebastião. O enredo é construído em torno dos amores contrariados de Camões e de D. Catarina de Ataíde (Natércia) que, na longa ausência do autor dos Lusíadas no desterro, foi impelida a desposar Martim Gonçalves da Câmara, inimigo do poeta.
Na sua origem dedicado à leitura de gabinete, foi necessário operar algumas transformações e reduções com vista à representação em palco. O drama, publicado em 1850, foi representado pela primeira vez no teatro S. Pedro no Rio de Janeiro a 30 de Novembro de 1855. São inúmeros os documentos da época que atestam o seu sucesso teatral e mérito literário como podemos ler na Notícia Complementar que acompanha a 2ª edição da peça:
"Um drama que faz ressuscitar diante dos portugueses de hoje a era mais solene da nossa literatura; que põe em cena a maior glória da nossa terra – um símbolo do nosso antigo valor, e amor da pátria; o soldado, poeta e infeliz Camões – nas armas grande, grande nas letras, nas desventuras ainda maior; e finalmente essas duas colunas de Hércules dos nossos truncados fastos – Camões e D. Sebastião; este drama, modelo de pureza, e propriedade da linguagem, na conveniência do estilo e no estudo e observação dos costumes daquela época, escrito por um dos nossos mais famosos escritores e poetas, é uma obra verdadeiramente nacional, e por si mesma excita a curiosidade, e deve prender a atenção e promover a admiração de espectadores portugueses".

 

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