Ficha Bibliográfica
CÂMARA,
Rodrigo de Azevedo Sousa da, 1804-1856
D. Pedro no Porto
ou O heroismo de poucos : drama historico em cinco actos / original
portuguez de Rodrigo d'Azevedo Sousa da Câmara. - Lisboa :
Typ. de J. A. S. Rodrigues, 1841. - 75, [5] p. ; 16 cm. - Obra digitalizada
a partir do original
CDU 82-2
OMGAR 2486p (ULFL-OM)
Nota descritiva
Na advertência do Autor, diz este que foi soldado de D. Pedro,
na heróica campanha pela liberdade e que, ao contrário dos «exímios
Literatos Portugueses [que] só tem parecido empenhados a abrir as
Campas dos Reis de Portugal para apresentarem em cena os defeitos
da vida» o seu «Drama [é] filho do Patriotismo».
Acrescenta que escrito com «incrível rapidez» terá o
seu texto erros e defeitos da mais variada ordem cujas justas correcções
acolherá com agrado.
À leitura dir-se-ia uma peça de mestre escola sem talento mas curioso
de teatro, alguém que das artes da cena pouco mais sabe além
de que se entra pela esquerda ou pela direita, podendo estas ser
alta ou baixa. No quinto acto só se entra pela esquerda, que a direita
está vedada pelo cenário. As personagens, sem colorido nem traços
psicológicos particulares, falam todas pela mesma bitola, quer se
trate do imperador, dos homens bons e suas mulheres, dos frades,
oficiais soldados ou povo.
A acção, se assim se lhe pode chamar, começa com o desembarque do
Imperador na praia do Mindelo e termina na gloriosa vitória da Serra
do Pilar. O quarto acto mostra a urdidura de maquiavélicos planos
como o atear do fogo ao convento onde pernoita o regimento de caçadores
e o lançar peçonha às águas da cidade, tudo santas ideias de um
padre franciscano e do próprio guardião do convento, em conluio
com os restantes frades e os miguelistas infiltrados; mas no quinto
acto estas personagens terão desaparecido sem deixar rasto e nada
se saberá sobre a execução de tais planos.
Em todos os momentos, os miguelistas são assassinos e ladrões e
os defensores da liberdade gente tão boa e amável que seria capaz
de franquear as portas de sua casa ao próprio Satanás em forma humana.
O aspecto mais saliente desta peça, publicada em 1841, para além
do culto do grande libertador que repôs no trono a sua filha, D.
Maria II, e as liberdades constitucionais, é o anti-clericalismo
que encontraremos, reforçado, em muitos outros autores que fazem
parte desta colecção.