Ficha Bibliográfica
MESQUITA,
Marcelino, 1856-1919
O regente : tragedia em 12 quadros
/ original de Marcellino Mesquita. - Lisboa : António Maria
Pereira, 1897. - 141, [2] p. ; 18 cm. - Obra digitalizada a partir
do original
CDU 82-2
OMGAR 2457p (ULFL-OM)
Nota descritiva
O autor designa a sua peça como tragédia em 12 quadros, o que revela
bem a indefinição técnico-teórica em que voga a produção teatral
portuguesa no fim de oitocentos. De facto, a divisão é também feita
em cinco actos mas de forma tão escusa que a referência a acto só
aparece como breve rubrica do fim de um certo conjunto de cenas
e está ausente, talvez porque por demais caricato, no fim do último
quadro que seria também o derradeiro no 5º acto.
Nesta obra de Marcelino Mesquita, um dos cultores do teatro naturalista
em Portugal, a figura tutelar é Shakespeare, mas um Shakespeare
encarado de um prisma diverso do de Victor Hugo, mais próximo do
dos dramas históricos de Strindberg, por exemplo, guardadas todas
as diferenças entre o autor português e o sueco. A peça, longa narrativa,
mostra as lutas pela regência que se sucedem à morte de D. Duarte
e o sacrifício final do duque de Coimbra e dos seus aliados na rede
mortal que sobre ele fecharam o conde de Barcelos, depois duque
de Bragança, o arcebispo de Lisboa e todo o séquito de conselheiros
corruptos que rodeiam o jovem Afonso V. Fazendo fé no seu naturalismo
o Arauto anuncia aos espectadores (e ao público leitor) que tudo
o que vão ver é rigorosamente histórico. De facto, a obra, publicada
em 1897, é claramente política e fecha com a maldição lançada pelo
conde de Abranches contra os Braganças, agora dinastia reinante.