Ficha Bibliográfica
CASTELO
BRANCO, Camilo, 1825-1890
O Marquez de Torres-Novas :
drama em cinco actos e um epilogo / por Camillo Castello-Branco.
- Porto : Typ. do Nacional, 1849. - 173 p. ; 21 cm. - Obra digitalizada
a partir do original
CDU 82-2
OMGAR 2444p (ULFL-OM)
Nota descritiva
O Marquês de Torres Novas é o texto com que Camilo Castelo-Branco
inaugura a sua escrita dramática, em 1855. A construção deste drama
assentou num capítulo do manuscrito seiscentista da autoria de Frei
Luís de Sousa, Os Anais de El-Rei D. João III, texto descoberto
e divulgado, havia pouco tempo, por Alexandre Herculano. Na própria
publicação, o dramaturgo incluiu um excerto desse texto historiográfico,
o qual relata uma queixa apresentada a D. João III relativa a um
pretenso casamento entre Guiomar Coutinho e um nobre então regressado
da guerra.
Recém-chegado de África, para onde fora desterrado, o marquês de
Torres Novas encontra a mulher, que quatro anos antes secretamente
desposara, prometida a outro em casamento. Apercebendo-se da traição
de que fora vítima, pretende matar Guiomar que, publicamente, nega
a existência de tal união matrimonial. Acontece que a única pessoa
que testemunhou o facto, um judeu agora disfarçado de mendigo, fora
também vítima da traição de uma mulher, jurando vingança.
Após inúmeras peripécias, em que se inclui a tentativa de assassinato
do marquês por ordem de Guiomar, encontram-se o marquês e o judeu,
Ezequiel, em casa de D. Francisco Coutinho, no dia do casamento
de sua filha com D. Fernando, irmão de D. João III. Por um fatal
engano, o marquês desfere um golpe mortal, não em Guiomar, mas em
Maria de Noronha, a mulher que traíra Ezequiel. Este terrível acidente
enlouquece o marquês que, cinco anos volvidos, vagueia, chorando
a morte de Maria e acusando Guiomar de adultério. O clima é agora
de profundo desespero. Guiomar, já viúva, implora o perdão do marquês,
morrendo em cena.