Ficha Bibliográfica
LEAL,
José da Silva Mendes, 1818-1886
D. Maria d'Alencastro
: drama em 3 partes / por J. da S. Mendes Leal. - Lisboa : Typ.
Rollandiana, 1846. - 122, [1] p. ; 20 cm. - Obra digitalizada a
partir do original
CDU 82-2
OMGAR 2431p (ULFL-OM)
Nota descritiva
Tomando como pano de fundo factos e figuras do período imediatamente
anterior à subida ao trono de D. Afonso VI, Mendes Leal escreve
um drama que não tem como preocupação qualquer reconstituição histórica.
Estreado no dia de aniversário de D. Fernando - 29 de Outubro de
1843 -, o espectáculo foi logo objecto de críticas elogiosas, o
mesmo acontecendo aquando da publicação do texto, em 1846. J. Carlos
Massa escreveu, na Illustração. Jornal Universal,
uma longa recensão, da qual se transcreve um excerto:
"[Mendes Leal] não nos pinta, é verdade, a época em que o autor
faz passar o seu drama [...] compensa-nos desta pequena falta, no
entender dos escrupulosos, um enredo bem dirigido - uma intriga
delicada, e um diálogo animado, e geralmente muito bem contado.
Em António Conti [...] temos o símbolo do vício - a personificação
da maldade [...]. D. Maria d'Alencastro é uma antítese perfeita
do carácter de António Conti. É a mulher forte, altiva de amor e
de crença [...] a repelir com horror as pérfidas insinuações [...]
do sedutor infame. [...] D. João d'Alencastro é também um carácter
grandioso; [...] Em D. António de Portugal, vemos também o mancebo
volúvel, inconstante, que vive só para os prazeres [...]. Laura
é o retrato fiel da mulher vingativa. Todos estes cinco caracteres
- que são os principais do drama - estão perfeitamente bem sustentados.
O pincel do artista não os favoreceu: deu-lhes as verdadeiras cores;
pintou o vício a par da virtude, a luta contínua - mas sempre verdadeira
e natural - entre estas duas entidades, surgindo afinal triunfante
a virtude a dominar o vício, como o rei domina os seus vassalos."
(12 Set. 1846)