Obra GOMES JÚNIOR, João Baptista, ?-1803 - Nova Castro, 1843. Cópia em JPEG Índice [Estampa: súplica de Inês de Castro ] [Rosto] Actores | ![]() Ficha Bibliográfica
Nota descritiva Publicada no início do século XIX, a tragédia de João Baptista
Gomes Júnior retoma um dos mitos nacionais mais edificantes na criação
literária e teatral no país e no estrangeiro, o mito de Inês de
Castro. No seguimento de Ferreira, Guevara, Lamotte, Manuel José
de Paiva, Quita e Figueiredo, Gomes Júnior põe em cena os amores
proibidos de Inês de Castro e D. Pedro. Segundo Inocêncio, o dramaturgo
terá tirado a sua Nova Castro da peça de Domingos Reis Quita, "seguindo-a
passo a passo". De notar ainda que a presente edição anexa a Cena
da Coroação, transcrita da antiga tragédia de D. Inês de Castro
de Nicolau Luís. O juízo que Almeida Garrett profere sobre a composição
dramática de João Baptista Gomes Júnior no seu Bosquejo da história
da poesia portuguesa constitui, sem dúvida, umas das tomadas
de posição e de reabilitação mais salientes da crítica oitocentista:
"J. B. Gomes, autor da Castro, mostrou nela muito talento poético
e dramático. De entre os vastos defeitos dessa tragédia sobressaem
muitas belezas. - Desvaira-o o elmanismo, demanda-se por
madrigais, quando a austeridade de Melpomene pedia concisão, força
e naturalidade; perde-se em declamações, extravaga os lugares comuns,
inverte a dicção com antíteses, destrói toda a ilusão com versos
a miúdo sexquipedais e entumecidos; mas por meio de todas essas
névoas brilha muita luz de engenho, muita sensibilidade, muita energia
do coração, predicados que com o estudo da língua, que não tinha,
com a experiência que lhe falecia, triunfaram ao cabo do mau gosto
do tempo, e viriam provavelmente a fazer de J. B. G. o nosso melhor
trágico".
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