Ficha Bibliográfica
PIMENTEL,
Serpa, 1814-1870
D. Sancho II / José Freire de Serpa
Pimentel. - Coimbra : Impr. da Universidade, 1846. - VI, 74 p. ;
18 cm. - (Theatro de José Freire de Serpa Pimentel ; 3). -
Obra digitalizada a partir do original. - Encadernado com: D. Sisnando,
o arabe / J. F. de Serpa Pimentel
CDU 82-2
OMGAR
2411p (ULFL-OM)
Nota descritiva
Apresentado ao concurso de peças para a inauguração do Teatro Nacional
de D. Maria II, este drama de Serpa Pimentel foi rejeitado pelo
Conservatório Real de Lisboa por "ofender a moral religiosa e civil
e ser escrito em mau estilo e linguagem". Com efeito, este parecer
deveu-se ao facto do autor ter perfilhado uma leitura histórica,
nomeadamente da figura de D. Sancho II, mais na linha dos historiadores
liberais, perspectiva que fora mal aceite pelos membros do júri.
O texto inicia-se com a chegada de uma embaixada, ao Paço de Coimbra,
que comunica, a D. Sancho II, a decisão do Concílio, segundo a qual
este monarca é deposto, sendo nomeado para o lugar o seu irmão,
D. Afonso, Conde de Bolonha.
Perante a desobediência do monarca, é armada uma cilada a D. Mécia,
sua mulher, que, a mando de Roma, acaba por ser raptada por Raimon
que, há muito apaixonado pela rainha, acaba assim por realizar o
seu desejo de a possuir.
Com D. Afonso às portas do reino, Martim de Freitas, alcaide de
Coimbra, insiste com o rei para que este vá procurar protecção a
Toledo, local onde se desenrolará todo o terceiro acto.
Sem corte, sem pátria e sem mulher, D. Sancho é agora um homem desanimado,
que desistira de fazer valer os seus direitos. Cada vez mais debilitado,
assistimos à sua morte, no final do último acto, presenciada por
Mécia que, iludindo a vigilância de Portocarreiro, fugira para Toledo,
onde sabia que encontraria D. Sancho. Demonstrando a sua integridade
e o seu patriotismo, as últimas palavras do monarca solicitam a
obediência ao novo rei de Portugal, D. Afonso III.