Obra LIMA, Custódio de Oliveira - Eurico, o presbytero, 1880. Cópia em JPEG Índice [Anterrosto] [Declaração de direitos de representação e reprodução] Nota [do autor] | ![]() Ficha Bibliográfica
Nota descritiva A peça aparece dividida em quatro actos, à maneira do drama burguês
onde o melodrama oitocentista encontra uma das suas filiações maiores,
estando os actos divididos em quadros, neste caso prova suficiente
da sua filiação nesse modelo tão popular, nomeadamente em França,
e de que dá bem conta a passagem do quinto para o sexto quadro,
em que a cena é meramente visual. O autor adapta a obra de Alexandre
Herculano («crónica-poema, lenda ou o que quer que seja»),
e o modo como inicia a sua peça parece supor da parte do potencial
público algum prévio conhecimento desta. O primeiro quadro remete
para o capítulo VI (Saudade) e logo salta para o VIII (O desembarque).
O autor não se coíbe de transcrever quase inteiramente falas das
personagens de Herculano, como no sétimo quadro, a cena de Eurico
e Hermengarda, ou no derradeiro ajuste de contas, a troca de palavras
entre o capitão árabe, que aqui se chama Tarik, Justino e Eurico.
No desejo de acelerar o desenlace fatal, o autor junta num só quadro
dois momentos do último capítulo do texto em que se baseia. Assim,
Pelágio segue Eurico, que encontra morto, e, por sua mão, dá a morte
ao árabe, entrando a seguir Hermengarda, enlouquecida pela descoberta
de que o cavaleiro negro e o presbítero são um só e a cruz do Senhor
separa para sempre os dois amantes. Termina assim, numa clareira
inçada de sangue, habitada pela morte, o que em Herculano acaba
numa manhã iluminada por um canto suavíssimo que mais do que qualquer
outra coisa emprestava um forte contraste à figura da donzela ensandecida.
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