Osório MateusAutoresFicha técnica  
 

 

Coleccionado ao longo de cinco décadas, o acervo bibliográfico do Arquivo Osório Mateus conta, fundamentalmente, com duas secções que ele próprio designava programaticamente por «peças» e «não-peças». O primeiro destes grupos, iniciado com a incorporação da edição feita por Alberto da Rocha Brito, em 1946, do Auto dos Físicos, de Gil Vicente, conta com 6980 títulos, na sua maioria portugueses, seguidos, por ordem de maiores existências, pelos franceses, espanhóis e ingleses, a que se somam alguns noutras línguas de menor circulação (italiano, alemão, holandês, etc.). Trata-se de um número importante de impressos que percorrem grande parte da história do teatro e da literatura dramática em Portugal, do século XVII ao XX. Como amostra ilustrativa do Arquivo Osório Mateus, apresenta-se aqui uma colecção de 66 peças de um núcleo de Teatro Histórico constituído por cerca de uma centena, escritas ao longo do século XIX. Em termos cronológicos, é um grupo que se pode subdividir em dois períodos - um primeiro até meados do século e um segundo no último quartel - correspondentes, grosso modo, aos das correntes estéticas em que se filiam, do romantismo ao naturalismo. No entanto, evidenciam uma certa homogeneidade, decorrente, talvez, das circunstâncias conjunturais de produção, em momentos de apelo ao patriotismo (invasões francesas, domínio administrativo inglês, sonho imperialista nas campanhas africanas). A temática parece ter encontrado uma forma quase «natural» no drama, mas a verdade é que houve espaço para outros géneros, que vão da comédia à sátira, para além de, episodicamente surgirem motivos extra-nacionais baseados em figuras da História e da Arte europeias. Disso pretende esta selecção dar conta. Numa perspectiva de História do Teatro, é de realçar que estas peças surgem aliadas a desejos de renovação teatral, desempenhadas quase sempre pelos primeiros nomes da cena nacional, reconhecíveis nos elencos que as edições exibem.

JC

 
     

 

 

 

 

Osório Mateus