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Dramaturgo
e jornalista, oriundo da aristocracia portuguesa. Formou-se em Engenharia,
tendo sido nomeado chefe de repartição dos Caminhos de Ferro Ultramarinos,
chegando a colaborar na construção de algumas linhas de caminho-de-ferro,
nomeadamente no Alentejo, o que pode explicar a presença desta região
como cenário de algumas das suas peças.
Elemento fundamental para a renovação do teatro português, escreveu cerca
de quarenta peças, para além de traduções de Shakespeare ou Dumas Filho
e adaptações (Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, 1904).
O seu teatro gozou sempre de assinalável sucesso, quase dominando, com
Marcelino Mesquita e Júlio Dantas, os palcos portugueses por um período
de vinte anos.
Numa linha de tradição romântica, o seu primeiro êxito foi o drama histórico,
em verso, D. Afonso VI (1890), o que o levou à escrita de outros,
Alcácer-Quibir (1891) e O Beijo do Infante (1898), a par
da comédia (A Toutinegra Real, 1895) e do drama realista, que inaugurou
em Portugal, com Os Velhos (1893).
Nos últimos anos experimentou o drama simbolista, de que foi igualmente
o introdutor em Portugal, de que são exemplos O Pântano (1894)
e Meia-Noite (1900). A sua vontade em satisfazer os gostos do grande
público levava-o também à escrita de melodrama popular, como A Rosa
Enjeitada (1901) e a dedicar-se à escrita de operetas, em parceria
com os nomes mais notáveis do género (Gervásio Lobato e Eduardo Schwalbach).
Para além disso, publicou ainda dois romances, El-Rei (1895) e
O Conde de Castelo Melhor (1903), um livro de contos (Contos,
1900), e diversos artigos e folhetins na revista Ocidente.
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