O espólio Osório Mateus  é constituído por um fundo bibliográfico com mais de 15000 espécies dos séculos XVIII a XXI, que incluem peças de teatro e estudos sobre teatro em edições de todo o mundo, maioritariamente portuguesas, espanholas, inglesas e francesas. Possui ainda 1000 programas de espectáculos e 300 periódicos de teatro portugueses e estrangeiros e um conjunto importante de imagens de teatro em diferentes suportes (gravura, litografia, fotografia, entre outros). Pertenceu ao professor e encenador Osório Mateus que o doou à Faculdade de Letras em 1996, data da sua morte.

Este fundo possui um dos maiores acervos bibliográficos e iconográficos de Teatro e Artes do Espectáculo do país - para além de materiais de carácter documental (memorabilia) coleccionados pelo seu proprietário - e tem por objectivo fundamental responder às necessidades de estudo e investigação de utilizadores nacionais e estrangeiros interessados nesta área do saber. Organizado espacialmente por locais de edição (Portugal, França, Espanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos da América, Brasil, América Latina, outros países), as suas cotas reflectem essa original forma de classificação, pois a cada conjunto foi dado o nome de um autor representativo (Garrett, Musset, Lope, Goldoni, Shakespeare, Williams, Cossa, Brecht, Anchieta).

Depois da morte de Osório Mateus, e aquando da transferência do espólio para a Faculdade de Letras, foi criada uma secção chamada Vicentina, justificada pela riqueza de obras existentes no fundo que reúne seguramente todas as edições dos autos e os mais importantes estudos sobre Gil Vicente, autor de que Osório Mateus foi reconhecido especialista. Da mesma forma as obras de referência (dicionários, enciclopédias etc.) foram classificadas sob a designação Braga (do nome do primeiro historiador do teatro português). Cada conjunto obedece, em seguida, a uma segunda repartição em Peças e Não peças. Não dispondo de um catálogo era, deste modo, geograficamente fácil ao seu proprietário aceder a um título ou escolher a edição que melhor servia os objectivos da investigação.  Nas cotas que o leitor hoje encontra no catálogo bibliográfico está reflectido este modo de organização.

A raridade de muitas espécies e a diversidade das áreas que abarcam dentro das artes do espectáculo (dramaturgia, crítica, teoria e estética teatral, sociologia do espectáculo, iconografia, história do teatro, antropologia, teatro e outras artes) tornam este acervo um instrumento indispensável para investigadores e artistas. É por isso assiduamente frequentado por estudantes, professores, profissionais do espectáculo e investigadores nacionais e estrangeiros. O facto de ser possível aceder ao catálogo bibliográfico através da Internet faz com que a sua vocação inicial – contribuir para a construção da história do teatro em Portugal – prossiga de acordo com o que foi o pensamento e a prática de Osório Mateus. Servirá também para dinamizar a área de estudos artísticos na Universidade de Lisboa, na qual pontuam cursos que vão da licenciatura ao pós-doutoramento. Na verdade, é justo afirmar que para qualquer pesquisa sobre qualquer área das artes do espectáculo o estudioso encontra no Arquivo Osório Mateus obras de referência de indiscutível importância.

A sua manutenção tem vindo a ser feita pelo Centro de Estudos de Teatro que organizou, a partir do fundo documental e bibliográfico, exposições (Papéis de Teatro, 2000, Vicentina, 2002) e leituras encenadas. Para além de regulares ofertas feitas por universidades (A Coruña), autores, editores e companhias (Teatro Experimental do Porto, Artistas Unidos, Escola da Noite, entre outras), vários espólios foram, desde 1996, integrados no AOM por vontade dos seus proprietários (Joaquim Resina Rodrigues, Luís Lucas, Lia Gama, Cristina Peres, António Calpi, João Carneiro). Quis-se desta forma prosseguir a política de incremento e actualização do espólio, contrariando o destino habitual de qualquer espólio. 

A informatização do catálogo foi feita em 2002, tendo os registos sido recentemente convertidos para o software documental Aleph visando a integração no Catálogo Colectivo do Sistema Integrado das Bibliotecas da Universidade de Lisboa (SIBUL).

É agora possível aceder através da Internet ao catálogo bibliográfico e a uma biblioteca digital de teatro (peças dos séculos XVIII e XIX e periódicos dos inícios do século XX), preparados com o apoio financeiro do Programa Operacional de Cultura. Cumpre-se assim o objectivo de assegurar a preservação de espécies raras sem inviabilizar a consulta, da mesma forma que a pesquisa no catálogo visa, como se disse, incrementar o conhecimento deste fundo e incentivar o estudo das artes do espectáculo.

O Arquivo pretende ser mais do que um instrumento ao dispor dos investigadores e artistas. A raridade de muitas espécies e a diversidade das áreas que abarcam no vasto campo das artes do espectáculo (crítica, teoria, história, sociologia, antropologia, iconografia, artes visuais) tornam o seu acervo particularmente importante para a comunidade científica. É assiduamente frequentado por estudantes, professores, profissionais do espectáculo e investigadores nacionais e estrangeiros que o encontram referenciado na página web do Centro de Estudos de Teatro (http://www.fl.ul.pt/centros_invst/teatro/pagina/programa/osorio_mateus.htm).