|

Osório Mateus
|
Osório Mateus nasceu em Viseu em 1940 e morreu em Lisboa em
1996. Foi professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa de 1970 a
1996, investigador e homem de teatro. Licenciou-se em Filologia Românica pela
Faculdade de Letras de Coimbra (1964) e doutorou-se em Literatura Portuguesa
pela Faculdade de Letras de Lisboa (1987) com a dissertação Cinco Autos de Vicente – Práticas de
Reconhecimento.
Na sua vida profissional, desde cedo aliou a prática do
teatro à carreira académica. Encenou a primeira representação absoluta de O Meu Caso, de José Régio, em 1963, no
Liceu de Viseu e, em 1967, O Auto do
Fidalgo Aprendiz. Mais tarde, entusiasmado com as novas condições de
trabalho que a Revolução trouxera, foi professor do Conservatório Nacional na
Escola Superior de Teatro e de Cinema (1974-1979). Esse interesse culminou com
a sucessiva introdução na Faculdade de Letras de Lisboa de unidades de estudo
do teatro.
Produziu textos teóricos sobre a prática e o estudo do
teatro (Escrita de Teatro, Lisboa, Bertarnd,
1977; “Teatro e Literatura”, Vértice,
21, 1989) e de investigação da história do teatro (Bibliografia do teatro em
Portugal até 1500, Lisboa: Cosmos, 1991). Iniciou, em 1973, em colaboração com
Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo, uma colecção de textos de teatro para a
editora Estampa, para a qual também traduziu várias obras; foi também o
responsável pelo trabalho de edição de clássicos do teatro português: Anrique
da Mota – publicado postumamente em 1999, pela Comissão Nacional para as Comemorações
dos Descobrimentos Portugueses – Camões, Chiado, Correia Garção, Gil Vicente,
cuja obra completa foi estudada nos Cadernos
Vicente, Lisboa, Quimera: 1988-1993, que dirigiu e onde melhor se revela o
seu método de trabalho de edição: revisão exaustiva dos textos por autor e
leitores. Uma antologia contendo grande parte dos seus escritos foi publicada
em 2002 (de teatro e outros escritos,
Lisboa: Quimera/Centro de Estudos de Teatro).
Do seu trabalho no teatro salienta-se a organização de
grupos de teatro (Os Cómicos – 1974 e
Produções Teatrais – 1978) e as seguintes encenações: 1963, O Meu Caso; 1967, Auto do Fidalgo Aprendiz; 1977, O
Treino do Campeão antes da Corrida, A
Guarda; 1978, O Fatalista de Diderot;
1979, Tragédia Infantil; 1980, actions 17 18 19 Os Autos das Barcas de
Gil Vicente, Menina Júlia; 1981, estas
primeiras farsas; 1982, Irivir, Konflenz, (Drama de Natal);
1984, Garretismos; 1987, Peça para dois Actores.
|