Introdução

À Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, enquanto instituição de ensino superior que se dedica ao cultivo do saber e à formação humana, cívica, científica e cultural da sua comunidade, compete promover e favorecer o acesso à cultura e ao conhecimento. Tendo em consideração estes desígnios, a Divisão da Biblioteca da FLUL - unidade responsável pelo tratamento técnico, preservação e divulgação do acervo documental que alberga - iniciou em Novembro de 2005, através do seu Arquivo Histórico e com o apoio do Programa Operacional da Cultura, um ambicioso projecto de tratamento bibliográfico, digitalização, restauro e difusão de parte do seu valioso e notável fundo antigo dos séculos XV e XVI; por outro, e do espólio doado à FLUL em 1996 pelo professor, crítico, actor e encenador Osório Mateus.

Neste sentido, os objectivos gerais do projecto foram:

Atendendo à especificidade de cada colecção, as grandes linhas de acção foram as seguintes:

Colecção de incunábulos e impressos raros dos séculos XV-XVI:

 

Colecção de obras de teatro Osório Mateus:

Para o efeito, o projecto envolveu o conjunto de investimentos necessários ao desenvolvimento das acções de tratamento técnico documental, conservação e restauro, digitalização e disponibilização pública dos suportes de divulgação através da Internet. Face à amplitude da tarefa, optou-se por uma solução mista, de apoio e coordenação por parte dos serviços da FLUL, por um lado, e contratação de serviços a empresas especializadas em regime de outsourcing, por outro.

As imagens digitalizadas encontram-se armazenadas em servidor próprio instalado no Centro de Dados da Universidade de Lisboa, e o acesso aos conteúdos digitais é duplamente garantido:

As imagens das obras cujos registos bibliográficos integram a Base Nacional de Dados Bibliográficos - PORBASE ficarão igualmente disponíveis na Biblioteca Nacional Digital e, por essa via, estarão presentes em serviços como o TEL - The European Library e, num futuro próximo, na Biblioteca Digital Europeia.

 

 

Incunábulos e Impressos Raros (Séculos XV e XVI)

O fundo antigo da Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa é muito vasto e constituído por livros que vão do século XV ao século XIX. Todavia, o trabalho que agora se publica refere-se a edições dos séculos XV e XVI.

Não temos elementos que nos permitam saber como foram reunidos estes livros e como e quando entraram na Biblioteca da Faculdade. Não foram considerados neste projecto muitos outros livros antigos, pois não estão integrados nos nossos fundos bibliográficos. Do Legado do Prof. Leite de Vasconcelos apenas estão descritas algumas das obras que estavam depositadas na Biblioteca, mas não foi considerado o resto da colecção.

Dos muitos livros impressos em Portugal o mais precioso é o Livro de vita Chisti, de Ludolfo de Saxónia, de 1495, feito pelos impressores alemães Nicolau de Saxónia e Valentim Fernandes de Morávia. Há muitos livros que versam temas religiosos ou estão relacionados com a Igreja Católica. Há obras de místicos como Luís de Granada e Santa Teresa de Jesus e outros de autores portugueses do século XVI como Gaspar Barreiros, Jerónimo Cardoso e Duarte Nunes de Leão, sobre temas diferentes da temática religiosa. Há obras importantes para a história de Portugal como as Ordenações Manuelinas ou os Estatutos da Universidade de Coimbra, promulgados por Filipe II.

Das obras impressas em várias cidades europeias, fazem parte sobretudo textos originais e traduções de autores clássicos entre eles Catão, Cícero, Píndaro, Euclides, Plínio, filósofos como Aristóteles, Platão e Santo Agostinho, escritores italianos como Ariosto, Boccaccio e Petrarca. Outros exemplares são de autores quinhentistas que se notabilizaram pela sua actividade em várias universidades europeias. Entre estes estão alguns portugueses como Aires Pinhel, Pedro Nunes, Jerónimo Osório e Diogo de Teive.

Depois de previamente definidos os critérios de pertinência do material a digitalizar - raridade e estado de conservação das espécies, inexistência de cópias digitais conhecidas e domínio público das obras em causa -, e desenvolvidas as pesquisas necessárias por forma a evitar duplicação de reproduções digitais, o processo avançou após a realização de testes de aceitação provisória das imagens, obedecendo a requisitos técnicos ditados pelas boas práticas de digitalização comummente definidas e aceites neste domínio. Para além do óbvio significado que um conjunto de obras desta natureza assume numa escola de Letras, e do intuito claro de iniciar o tratamento técnico documental das colecções de livro antigo à guarda da Biblioteca da FLUL valorizando o livro quinhentista, procurou-se que o material digitalizado ilustrasse as obras de tipografia portuguesa (68) e espanhola (35) existentes, as edições em língua castelhana (8) e as que versam sobre Portugal (3). Para além disso, foram igualmente seleccionados todos os incunábulos da colecção (9). As restantes obras (52) foram consideradas de interesse geral.

A campanha de digitalização decorreu nas instalações da Biblioteca da FLUL e produziu 97067 imagens (62% da colecção). Foram digitalizadas 175 edições com páginas de formatos variados (A3 a A6). A captura digital das imagens fez-se através de scanners planetários equipados com compensador de lombadas.


 

 

 

Espólio Osório Mateus

O espólio Osório Mateus é constituído por um fundo bibliográfico com mais de 15000 espécies dos séculos XVIII a XXI, que incluem peças de teatro e estudos sobre teatro em edições de todo o mundo, maioritariamente portuguesas, espanholas, inglesas e francesas. Possui ainda 1000 programas de espectáculos e 300 periódicos de teatro portugueses e estrangeiros e um conjunto importante de imagens de teatro em diferentes suportes (gravura, litografia, fotografia, entre outros). Pertenceu ao professor e encenador Osório Mateus que o doou à Faculdade de Letras em 1996, data da sua morte.

Este fundo possui um dos maiores acervos bibliográficos e iconográficos de Teatro e Artes do Espectáculo do país - para além de materiais de carácter documental (memorabilia) coleccionados pelo seu proprietário - e tem por objectivo fundamental responder às necessidades de estudo e investigação de utilizadores nacionais e estrangeiros interessados nesta área do saber. Organizado espacialmente por locais de edição (Portugal, França, Espanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos da América, Brasil, América latina, outros países), as suas cotas reflectem essa original forma de classificação, pois a cada conjunto foi dado o nome de um autor representativo (Garrett, Musset, Lope, Goldoni, Shakespeare, Williams, Cossa, Brecht, Anchieta).

Depois da morte de Osório Mateus, e aquando da transferência do espólio para a Faculdade de Letras, foi criada uma secção chamada Vicentina, justificada pela riqueza de obras existentes no fundo que reúne seguramente todas as edições dos autos e os mais importantes estudos sobre Gil Vicente, autor de que Osório Mateus foi reconhecido especialista. Da mesma forma as obras de referência (dicionários, enciclopédias etc.) foram classificadas sob a designação Braga (do nome do primeiro historiador do teatro português). Cada conjunto obedece, em seguida, a uma segunda repartição em Peças e Não peças. Não dispondo de um catálogo era, deste modo, geograficamente fácil ao seu proprietário aceder a um título ou escolher a edição que melhor servia os objectivos da investigação.  Nas cotas que o leitor hoje encontra no catálogo bibliográfico está reflectido este modo de organização.

A raridade de muitas espécies e a diversidade das áreas que abarcam dentro das artes do espectáculo (dramaturgia, crítica, teoria e estética teatral, sociologia do espectáculo, iconografia, história do teatro, antropologia, teatro e outras artes) tornam este acervo um instrumento indispensável para investigadores e artistas. É por isso assiduamente frequentado por estudantes, professores, profissionais do espectáculo e investigadores nacionais e estrangeiros. O facto de ser possível aceder ao catálogo bibliográfico através da Internet faz com que a sua vocação inicial – contribuir para a construção da história do teatro em Portugal – prossiga de acordo com o que foi o pensamento e a prática de Osório Mateus. Servirá também para dinamizar a área de estudos artísticos na Universidade de Lisboa, na qual pontuam cursos que vão da licenciatura ao pós-doutoramento. Na verdade, é justo afirmar que para qualquer pesquisa sobre qualquer área das artes do espectáculo o estudioso encontra no Arquivo Osório Mateus obras de referência de indiscutível importância.

A sua manutenção tem vindo a ser feita pelo Centro de Estudos de Teatro que organizou, a partir do fundo documental e bibliográfico, exposições (Papéis de Teatro, 2000, Vicentina, 2002) e leituras encenadas. Para além de regulares ofertas feitas por universidades (A Coruña), autores, editores e companhias (Teatro Experimental do Porto, Artistas Unidos, Escola da Noite, entre outras), vários espólios foram, desde 1996, integrados no AOM por vontade dos seus proprietários (Joaquim Resina Rodrigues, Luís Lucas, Lia Gama, Cristina Peres, António Calpi, João Carneiro). Quis-se desta forma prosseguir a política de incremento e actualização do espólio, contrariando o destino habitual de qualquer espólio. 

A informatização do catálogo foi feita em 2002, tendo os registos sido recentemente convertidos para o software documental Aleph visando a integração no . A campanha de digitalização decorreu nas instalações da Biblioteca da FLUL e produziu 81009 imagens, correspondentes a 6360 páginas de periódicos encadernados (formato A4 e superior) e a 74649 páginas de monografias (formatos A4, A5 e A6). A captura digital das imagens fez-se através de scanners planetários equipados com compensador de lombadas.

Depois de previamente definidos os critérios de pertinência do material a digitalizar - raridade e estado de conservação das espécies, inexistência de cópias digitais conhecidas e domínio público das obras em causa -, e desenvolvidas as pesquisas necessárias por forma a evitar duplicação de reproduções digitais, o processo avançou após a realização de testes de aceitação provisória das imagens, obedecendo a requisitos técnicos ditados pelas boas práticas de digitalização comummente definidas e aceites neste domínio. A captura digital das imagens fez-se através de scanners planetários equipados com compensador de lombadas.

É agora possível aceder através da Internet ao catálogo bibliográfico e a uma biblioteca digital de teatro (peças dos séculos XVIII e XIX e periódicos dos inícios do século XX), preparados com o apoio financeiro do Programa Operacional de Cultura. Cumpre-se assim o objectivo de assegurar a preservação de espécies raras sem inviabilizar a consulta, da mesma forma que a pesquisa no catálogo visa, como se disse, incrementar o conhecimento deste fundo e incentivar o estudo das artes do espectáculo.

O Arquivo pretende ser mais do que um instrumento ao dispor dos investigadores e artistas. A raridade de muitas espécies e a diversidade das áreas que abarcam no vasto campo das artes do espectáculo (crítica, teoria, história, sociologia, antropologia, iconografia, artes visuais) tornam o seu acervo particularmente importante para a comunidade científica. É assiduamente frequentado por estudantes, professores, profissionais do espectáculo e investigadores nacionais e estrangeiros que o encontram referenciado na página web do Centro de Estudos de Teatro (http://www.fl.ul.pt/centros_invst/teatro/pagina/programa/osorio_mateus.htm ).

 

 

 

Indicadores físicos e de resultado

Descrição Previstos Realizados Total
Livro antigo Teatro
N.º de imagens digitalizadas 178000 97067 81009 178076
N.º de edições multimédia – títulos 3 1 2 3
Congressos/Seminários/Workshops 2 1 1 2
N.º de registos normalizados criados 285 283 2316 2599